Das anotações secretas de Anna, a Feiticeira:
... deixo a você um legado que eu sei que não compreenderá jamais. Leia este trecho da peça teatral Diálogos da Carne, e eu permitirei que teça invenções a respeito de si mesmo, meu amado.
A NINFA DEMONÍACA: Invada meu corpo com a suavidade de teu hálito, beije-me de forma sedutora e deixe que meu corpo estremeça de prazer. Violente minha alma com teus desejos profanos e faça de mim tua escrava e serva até o fim dos tempos!
O CAVALEIRO CINZENTO: Ajoelhar-se diante de seu corpo, é fazer minha língua conhecer todos os seus segredos. Sermos escravos um do outro é nos libertar da tirania da vida, mergulhar no poço de êxtase que se esconde em sua carne suculenta. Eu a devoro em cada pensamento, ato e desejo.
A NINFA DEMONÍACA: Deixe que seja aquela por quem suspira. Mostre-me todo o fascínio de outros mundos e me torne sua rainha nesta dimensão sombria. Onde todas as sombras dançam ao som da morte e a luxúria festeja como convidada principal desta ceia de orgasmos infinitos.
O CAVALEIRO CINZENTO: A própria morte se desfaz diante de nossa pequena morte, banquete de êxtases prolongados até a eternidade. Como uma fera se delicia com sua presa, eu te devoro; e você me engole e abriga como a própria vida que nos sustenta, fonte de néctares da dor e do prazer ... bebamos a ela.
Autoria Definitiva: The Grey Knight e Neith War
terça-feira, 9 de novembro de 2010
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
prisão de tempo
prisão de tempo, por Oedipus
E o pêndulo vacila entre dois extremos que os sábios
Classificariam como idênticos mas que eu
Em minha cínica sabedoria classifico como diferentes
Fecham-se os portões da alma, selam-se as saídas do meu destino
Caminhando por um labirinto de um só caminho e uma só parede
Onde todas as esquinas são como as dobras que apertam meu espírito
E os candeeiros, acesos sob a luz da lua, sonham um dia se elevarem
Além do sol, volto, retorno e recomeço, sento em posição de lótus
Sobre os restos que caem da boca daqueles que me prenderam aqui
Sonho um dia cavar um túnel
Ao dormir ouvindo os ruídos das quimeras do outro lado da parede
Sinto nada se mexer, só ritmo do sangue a pulsar em minhas veias
E eu suponho que algo se esconde ali, no âmago da prisão
Sonho um túnel a cavar o dia
Ato desespero cavou um buraco dentro dos mantos que me abrigam
Rezo, em medo, a ponto de gargalhadas lacrimejarem sob minha pele e ossos
E surpreendo a lágrima em sua doçura a renegar o sal que a gerou
Passam-se os dias, horas e minutos
Maníaco silêncio do outro lado, fascinante agonia nas palmas das mãos
A parede parece sorrir e as estrelas parecem querer cair em meu colo
E eu percebo novamente o pêndulo a tremer ante meus olhos cansados
Passam-se os minutos, horas e dias
Até que a coragem venha para agarrar a haste que rasga os espaços
E a use para rasgar meu próprio coração em chamas,
Inutilmente tornado em cinzas por tanto amor desperdiçado.
Arthur Ferreira Jr.'.
domingo, 7 de novembro de 2010
UM SONHO NO LETHE
De Clark Ashton Smith
Tradução de Arthur Ferreira Jr.'.
Procurando aquela que perdi, cheguei a tempo às costas do Lethe, sob a abóbada de um céu imenso, vazio e ébano, a partir do qual todas as estrelas sumiam, uma por uma. Vinda não sei de onde, uma luz pálida e fugidia, como a da lua minguante, ou a fosforescência fantasmagórica de um sol morto, caiu tênue e sem lustre sobre a torrente obsidiana, e sobre os prados negros e sem flor alguma. Sob esta luz, enxerguei muitas almas errantes, de homens e mulheres, que vinham, hesitantes ou sôfregas, beber das lentas águas que nunca murmuram. Porém entre todas essas, nenhuma partia sôfrega, e muitos que permaneciam contemplavam, com olhos que não enxergavam, o movimento calmo e sem ondas da torrente. À distância, na forma graciosa e alta como um lírio, e no rosto imóvel e altivo de uma mulher que permanecia separada do resto, enxerguei aquela a quem buscava; e, correndo para estar ao seu lado, com um coração onde antigas memórias cantavam como um ninho de rouxinóis, fui ávido em tomar da sua mão. Porém nos olhos pálidos e imutáveis, e nos lábios imóveis e descorados, que achegaram-se aos meus, não enxerguei luz alguma de memórias, nenhum tremor de reconhecimento. E sabendo agora que ela havia esquecido, fugi desesperado, e encontrei o rio diante de mim, de súbito senti minha antiga sede por suas águas, uma sede que um dia pensei satisfazer em muitas e diversas fontes, mas em vão. Abaixando-me apressado, bebi, e levantando mais uma vez, percebi que a luz havia morrido ou desaparecido, e que toda a terra era como a terra de um sono sem sonhos, onde eu não conseguia mais distinguir os rostos de meus companheiros. Nem mais estava apto a lembrar jamais por quê eu desejei beber das águas do esquecimento.
This work is in the public domain in the United States because it was published before January 1, 1923. It may be copyrighted outside the U.S. (see Help:Public domain).
Tradução de Arthur Ferreira Jr.'.
Procurando aquela que perdi, cheguei a tempo às costas do Lethe, sob a abóbada de um céu imenso, vazio e ébano, a partir do qual todas as estrelas sumiam, uma por uma. Vinda não sei de onde, uma luz pálida e fugidia, como a da lua minguante, ou a fosforescência fantasmagórica de um sol morto, caiu tênue e sem lustre sobre a torrente obsidiana, e sobre os prados negros e sem flor alguma. Sob esta luz, enxerguei muitas almas errantes, de homens e mulheres, que vinham, hesitantes ou sôfregas, beber das lentas águas que nunca murmuram. Porém entre todas essas, nenhuma partia sôfrega, e muitos que permaneciam contemplavam, com olhos que não enxergavam, o movimento calmo e sem ondas da torrente. À distância, na forma graciosa e alta como um lírio, e no rosto imóvel e altivo de uma mulher que permanecia separada do resto, enxerguei aquela a quem buscava; e, correndo para estar ao seu lado, com um coração onde antigas memórias cantavam como um ninho de rouxinóis, fui ávido em tomar da sua mão. Porém nos olhos pálidos e imutáveis, e nos lábios imóveis e descorados, que achegaram-se aos meus, não enxerguei luz alguma de memórias, nenhum tremor de reconhecimento. E sabendo agora que ela havia esquecido, fugi desesperado, e encontrei o rio diante de mim, de súbito senti minha antiga sede por suas águas, uma sede que um dia pensei satisfazer em muitas e diversas fontes, mas em vão. Abaixando-me apressado, bebi, e levantando mais uma vez, percebi que a luz havia morrido ou desaparecido, e que toda a terra era como a terra de um sono sem sonhos, onde eu não conseguia mais distinguir os rostos de meus companheiros. Nem mais estava apto a lembrar jamais por quê eu desejei beber das águas do esquecimento.
VIRGO
De Arthur Ferreira Jr.'.
Dedicado a Mestre Montalvan e a Yeats
Veio o sono, e transpus os obstáculos largados no caminho do meu sonhar, com a maior facilidade. Desfiz a existência daquelas pragas que começavam a acumular-se pela terra branca, informe e enevoada que cercava os meus domínios. Eram ervas daninhas: como bromélias feitas de carne, cartilagem, e com um único olho dentro daquela massa gotejante, tresandando a carniça. Sem maiores reclamações, extirpei-as, uma a uma: era meu dever.
Que importava se, na noite seguinte, devia repetir o mesmo processo? Era o meu dever.
Naquela noite o leviatã não viria. Ele começava a rarear suas aparições, mas quando isso acontecia, a colheita daqueles fungos diabólicos era sempre mais pesada. Por toda a planície. E, por isso, eu precisava estar ali, antes que a noite caísse no mundo dos despertos, antes que as presenças dos que dormem tornassem-se multidões.
Dia após dia, noite após noite, a planície parecia aumentar de tamanho. Mais presenças, uma ou outra, era quase imperceptível. Mais presas para o leviatã, mais vítimas incautas para o envenenamento dos fungos.
Mais desespero, mais crimes, mais loucura pela terra dos despertos. Se eu não estivesse ali, a maré turva de sangue tomaria tudo com mais pressa e ímpeto.
O céu malva se retorcia, bem devagar. Era um dia de rotina.
Dedicado a Mestre Montalvan e a Yeats
Veio o sono, e transpus os obstáculos largados no caminho do meu sonhar, com a maior facilidade. Desfiz a existência daquelas pragas que começavam a acumular-se pela terra branca, informe e enevoada que cercava os meus domínios. Eram ervas daninhas: como bromélias feitas de carne, cartilagem, e com um único olho dentro daquela massa gotejante, tresandando a carniça. Sem maiores reclamações, extirpei-as, uma a uma: era meu dever.
Que importava se, na noite seguinte, devia repetir o mesmo processo? Era o meu dever.
Naquela noite o leviatã não viria. Ele começava a rarear suas aparições, mas quando isso acontecia, a colheita daqueles fungos diabólicos era sempre mais pesada. Por toda a planície. E, por isso, eu precisava estar ali, antes que a noite caísse no mundo dos despertos, antes que as presenças dos que dormem tornassem-se multidões.
Dia após dia, noite após noite, a planície parecia aumentar de tamanho. Mais presenças, uma ou outra, era quase imperceptível. Mais presas para o leviatã, mais vítimas incautas para o envenenamento dos fungos.
Mais desespero, mais crimes, mais loucura pela terra dos despertos. Se eu não estivesse ali, a maré turva de sangue tomaria tudo com mais pressa e ímpeto.
O céu malva se retorcia, bem devagar. Era um dia de rotina.
O Santuário Púrpura da Mística Mascarada
De Arthur Ferreira Jr.'.
Dedicado a Mya
Entrei no santuário púrpura da mística mascarada
Como quem busca uma revelação definitiva.
Impressionado com o conteúdo do baú enigmático,
Pus-me a procurar as penas das asas dos anjos
E o pó que se desprendia do couro dos demônios
Que frequentavam o santuário púrpura à luz de velas.
Somente encontrei os vestígios do monólito brilhante
E as pedrarias preciosíssimas que pertenciam à sua alma.
Nada havia, nem de material ou de espiritual no santuário:
Somente um amálgama perturbador desses dois extremos.
Ao finalizar minhas preces fervorosas aos pés da mística mascarada,
Embrenhei-me numa selva de sonhos pseudo-alucinatórios.
Ouvi por toda a madrugada os ruídos e os farfalhares
Dos passos acolchoados da familiar da mística mascarada,
Que a todo instante fazia uma patrulha profana
Por entre os lençóis aconchegantes da cama rente ao chão.
Se não fosse o duro dever de mestre viajante,
Nada me faria deixar a santidade do santuário púrpura da mística mascarada!
31/10/2004, revisão mínima 07/11/2010
Dedicado a Mya
Entrei no santuário púrpura da mística mascarada
Como quem busca uma revelação definitiva.
Impressionado com o conteúdo do baú enigmático,
Pus-me a procurar as penas das asas dos anjos
E o pó que se desprendia do couro dos demônios
Que frequentavam o santuário púrpura à luz de velas.
Somente encontrei os vestígios do monólito brilhante
E as pedrarias preciosíssimas que pertenciam à sua alma.
Nada havia, nem de material ou de espiritual no santuário:
Somente um amálgama perturbador desses dois extremos.
Ao finalizar minhas preces fervorosas aos pés da mística mascarada,
Embrenhei-me numa selva de sonhos pseudo-alucinatórios.
Ouvi por toda a madrugada os ruídos e os farfalhares
Dos passos acolchoados da familiar da mística mascarada,
Que a todo instante fazia uma patrulha profana
Por entre os lençóis aconchegantes da cama rente ao chão.
Se não fosse o duro dever de mestre viajante,
Nada me faria deixar a santidade do santuário púrpura da mística mascarada!
31/10/2004, revisão mínima 07/11/2010
sábado, 6 de novembro de 2010
A FORTALEZA DO FIRMAMENTO
A Fortaleza do Firmamento se abriu, e os homens que lhe faziam o cerco estacaram, incertos. O que eles esperavam era arrasar as muralhas da fortaleza logo ao cair da noite; porém, misteriosamente, os portões foram abertos.
Era uma muralha de arame-farpado dourado, massiva, reluzindo às cores invasivas do meio-dia. Alguns dos mais afoitos, sem esperar a ordem dos generais, investiram contra os portões escancarados. A nuvem de poeira se ergueu, o tropel foi ensurdecedor, e as trombetas de guerra soaram: uma vez na investida, o Povo Invasor não mais se detinha.
Não se detinha, não se deteve, e nunca mais precisou se deter de novo. As hordas continuaram a invadir a Cidade, e a invadir, a invadir, presas no próprio impulso, e aquele movimento provou-se um meio-dia eterno, a Fortaleza do Firmamento era uma miragem na tessitura do tempo, uma ondulação do calor alucinatório tornada sólida, uma armadilha, uma cilada, um Cavalo de Tróia às avessas.
Era uma muralha de arame-farpado dourado, massiva, reluzindo às cores invasivas do meio-dia. Alguns dos mais afoitos, sem esperar a ordem dos generais, investiram contra os portões escancarados. A nuvem de poeira se ergueu, o tropel foi ensurdecedor, e as trombetas de guerra soaram: uma vez na investida, o Povo Invasor não mais se detinha.
Não se detinha, não se deteve, e nunca mais precisou se deter de novo. As hordas continuaram a invadir a Cidade, e a invadir, a invadir, presas no próprio impulso, e aquele movimento provou-se um meio-dia eterno, a Fortaleza do Firmamento era uma miragem na tessitura do tempo, uma ondulação do calor alucinatório tornada sólida, uma armadilha, uma cilada, um Cavalo de Tróia às avessas.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Instilled
by KAY, The Grey Knight
One fateful day I saw myself
Scultping my travails on the surface of a shadow.
This shadow stands by me in moments of despair
This shadow brings to me the glory of this wonder
This shadow, slithering across my face,
Is only my silent, blissful tear.
This tear I sculpt like jagged glass, like frozen pain,
Like rolling sadness, like painful rain.
It's not by my will the ryhyme
Although it certainly makes me feel fine.
This frozen tear I bring to you:
A poem instilled in solid form.
Read it, drink it, swallow it -- it doesn't matter anymore.
One fateful day I saw myself
Scultping my travails on the surface of a shadow.
This shadow stands by me in moments of despair
This shadow brings to me the glory of this wonder
This shadow, slithering across my face,
Is only my silent, blissful tear.
This tear I sculpt like jagged glass, like frozen pain,
Like rolling sadness, like painful rain.
It's not by my will the ryhyme
Although it certainly makes me feel fine.
This frozen tear I bring to you:
A poem instilled in solid form.
Read it, drink it, swallow it -- it doesn't matter anymore.
A FLOR-DEMÔNIO (de Clark Ashton Smith)
Título Original: The Flower-Devil
Tradução: Arthur Ferreira Jr.'.
Numa pia de alabastro, no alto de um pilar de serpentina, a coisa existe desde um templo primevo, no jardim dos reis que governam um reino equatorial no planeta Saturno. Com folhagem negra, fina e intricada como a teia de alguma enorme aranha; com pétalas de um rosa lívido, e púrpuras como o púrpura de carne putrefata; e um caule ascendente, como o pulso peludo e escuro de um bulbo tão antigo, tão incrustrado com o crescimento dos séculos, que lembra uma urna de pedra, a flor monstruosa mantém domínio sobre todo o jardim. Nesta flor, desde os anos das mais antigas lendas, um demônio maligno habita -- um demônio cujo nome e natividade são conhecidos pelos magistas superiores, e pelos misteriarcas do reino, embora uma icógnita a todos os outros. Sobre as flores quase-animadas, as orquídeas ofídeas que se enroscam e ferroam, os lírios quirópteros que à noite abrem suas pétalas arcadas como costelas, e com minúsculos dentes amarelados, banqueteiam-se com os corpos das libélulas adormecidas; os cactos carnívoros que bocejam com lábios esverdeados, abaixo de suas barbas de espinhos amarelados e venenosos; as plantas que palpitam como corações, os brotos que suspiram com um hálito de perfume peçonhento -- acima de todas essas plantas, a Flor-Diabo reina suprema, em sua imortalidade maligna, e inteligência maldosa e perversa -- incitando-as a uma estranha maleficência, a um capricho fantástico, até mesmo a atos de rebelião contra os jardineiros, que continuam com suas tarefas com cautela e tremor, já que mais de um deles já fora mordido, sendo mesmo levado à morte, por alguma flor raivosa e envenenada. Em alguns pontos, o jardim tornou-se selvagem, devido à falta de cuidados dos jardineiros temerosos, e tornou-se um emaranhado monstruoso de rastejantes serpentinos, e de plantas com cabeças de hidra, convoluto e retorcido em si mesmo de tanto ódio letal ou amor venenoso, e tão horrível como uma multidão de víboras e pítons ocupados em lutar.
E, como fizeram seus inúmeros ancestrais, antes dele, o rei não ousa destruir a Flor, por medo de que o diabo, expulso de seu refúgio, possa buscar uma nova residência, e entrar no cérebro ou corpo de um dos súditos do rei -- ou mesmo no coração de sua tão bela, gentil e amada rainha!
This work is in the public domain in the United States because it was published before January 1, 1923. It may be copyrighted outside the U.S. (see Help:Public domain).
Tradução: Arthur Ferreira Jr.'.
Numa pia de alabastro, no alto de um pilar de serpentina, a coisa existe desde um templo primevo, no jardim dos reis que governam um reino equatorial no planeta Saturno. Com folhagem negra, fina e intricada como a teia de alguma enorme aranha; com pétalas de um rosa lívido, e púrpuras como o púrpura de carne putrefata; e um caule ascendente, como o pulso peludo e escuro de um bulbo tão antigo, tão incrustrado com o crescimento dos séculos, que lembra uma urna de pedra, a flor monstruosa mantém domínio sobre todo o jardim. Nesta flor, desde os anos das mais antigas lendas, um demônio maligno habita -- um demônio cujo nome e natividade são conhecidos pelos magistas superiores, e pelos misteriarcas do reino, embora uma icógnita a todos os outros. Sobre as flores quase-animadas, as orquídeas ofídeas que se enroscam e ferroam, os lírios quirópteros que à noite abrem suas pétalas arcadas como costelas, e com minúsculos dentes amarelados, banqueteiam-se com os corpos das libélulas adormecidas; os cactos carnívoros que bocejam com lábios esverdeados, abaixo de suas barbas de espinhos amarelados e venenosos; as plantas que palpitam como corações, os brotos que suspiram com um hálito de perfume peçonhento -- acima de todas essas plantas, a Flor-Diabo reina suprema, em sua imortalidade maligna, e inteligência maldosa e perversa -- incitando-as a uma estranha maleficência, a um capricho fantástico, até mesmo a atos de rebelião contra os jardineiros, que continuam com suas tarefas com cautela e tremor, já que mais de um deles já fora mordido, sendo mesmo levado à morte, por alguma flor raivosa e envenenada. Em alguns pontos, o jardim tornou-se selvagem, devido à falta de cuidados dos jardineiros temerosos, e tornou-se um emaranhado monstruoso de rastejantes serpentinos, e de plantas com cabeças de hidra, convoluto e retorcido em si mesmo de tanto ódio letal ou amor venenoso, e tão horrível como uma multidão de víboras e pítons ocupados em lutar.
E, como fizeram seus inúmeros ancestrais, antes dele, o rei não ousa destruir a Flor, por medo de que o diabo, expulso de seu refúgio, possa buscar uma nova residência, e entrar no cérebro ou corpo de um dos súditos do rei -- ou mesmo no coração de sua tão bela, gentil e amada rainha!
This work is in the public domain in the United States because it was published before January 1, 1923. It may be copyrighted outside the U.S. (see Help:Public domain).
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Poema sem Nome e Sem Memória
Passei o resto do dia procurando as sombras
Da inspiração da noite passada.
Um mistério se desfez em minha mente,
Uma zona inteira de pensamentos que naquela hora
Achei brilhantes ...
Brilhantes espalhados na aurora me surpreenderam
Seu clarão informe logo me confundiu
Ó sombra do dia imperfeito,
Tua luz cobriu meu gênio volúvel:
O capricho de uma ideia errante
Que com certeza nem minha era.
Era de uma sagacidade extrema
O poema que eu vinha aqui compartilhar;
Mas não quis a memória me valer,
O horizonte de uma lembrança fica ao longe
Nunca será alcançada pelos nômades sem causa
Que buscam algo para os desesperar.
Desesperar com a voz de um louco no deserto de sua própria mente
É como estranhar as próprias ideias,
Duvidar de que um dia imaginei algo assim,
Mas isso nunca aconteceu, sobe o turbilhão,
O vento do esquecimento me alucina!
Passe o resto do dia procurando as sombras ...
Da inspiração da noite passada.
Um mistério se desfez em minha mente,
Uma zona inteira de pensamentos que naquela hora
Achei brilhantes ...
Brilhantes espalhados na aurora me surpreenderam
Seu clarão informe logo me confundiu
Ó sombra do dia imperfeito,
Tua luz cobriu meu gênio volúvel:
O capricho de uma ideia errante
Que com certeza nem minha era.
Era de uma sagacidade extrema
O poema que eu vinha aqui compartilhar;
Mas não quis a memória me valer,
O horizonte de uma lembrança fica ao longe
Nunca será alcançada pelos nômades sem causa
Que buscam algo para os desesperar.
Desesperar com a voz de um louco no deserto de sua própria mente
É como estranhar as próprias ideias,
Duvidar de que um dia imaginei algo assim,
Mas isso nunca aconteceu, sobe o turbilhão,
O vento do esquecimento me alucina!
Passe o resto do dia procurando as sombras ...
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
INDÚSTRIA PETROLÍFERA DESPERTA CTHULHU
http://www.youtube.com/watch?v=foddLVyx08E
Não me admiro se algo similar acontecer daqui a uns tempos, do jeito que anda sujo o mar...! Hheehhahhhhgaghagghgggsguugughuauahuahuauaaaa
Não me admiro se algo similar acontecer daqui a uns tempos, do jeito que anda sujo o mar...! Hheehhahhhhgaghagghgggsguugughuauahuahuauaaaa
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